ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA - O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO SEGUNDO – MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS – PARTE 37


 ENCARNAÇÃO DOS ESPÍRITOS
I – FINALIDADE DA ENCARNAÇÃO
(Questões: 132 a 133.a)


“É o indivíduo que cria a própria infelicidade, afastando-se das Leis de Deus e atraindo males. Assim, não experimenta a felicidade possível num plano grosseiro.”


Segundo ensinam os Espíritos Codificadores, Deus impõe a encarnação aos Espíritos a fim de leva-los à perfeição. Nesse caminho experimentam expiações e missões, angariando experiências por meio dos problemas das existências corpóreas.



A encarnação é um mecanismo da Sabedoria Divina para colocar o Espírito em condições de enfrentar a sua parte na obra da Criação. Assim, Deus permite que o Espírito tome um corpo em cada mundo conforme a matéria essencial do mesmo, para cumprir ordens divinas daquele ponto de vista.



Os Espíritos, criados simples e ignorantes, instruem-se por meio das encarnações, e não há esse ou aquele Espírito criado mais ou menos feliz que outro, pois, a felicidade é alcançada por meio de penas e trabalhos a que o Espírito é submetido, isto é, por méritos.

Quando se referem às penas, os Espíritos deixam claro que não se tratam de castigos do Criador, mas, resultado da imperfeição do Espírito. Quanto menos imperfeito, menos sofre. Inveja, ciúme, avareza e ambição provocam penas e sofrimentos a quem possuir tais defeitos. Aquele que não possui nenhuma dessas imperfeições não sofrerá os tormentos que elas causam.

A felicidade também está atrelada à aceitação e à submissão do Espírito às Leis Divinas, bem como às provas a que é submetido para evoluir no caminho da perfeição.

Mas, sob o ponto de vista espiritual, qual seriam as consequências do afastamento pelo Espírito da finalidade encarnatória? Podemos pensar assim:


    1. Nem todos que requisitam conforto e o alcançam no plano material são felizes; muitos são infelizes e entediados.
    2. Outros pleiteiam destaque, mas, ao alcança-lo se apresentam inabilitados para a tarefa.

    3. Há “felizes” no plano das aquisições materiais que acumulam enfermidades com os excessos que cometem em razão da abundância.

    4. Há “infelizes” pela carência material que acumulam verdadeiros tesouros com o proveito que tiram das lições do mundo.

  5. Muitos são saudáveis e, abusando da robustez, desencarnam prematuramente.
    6. Muitos doentes vivem longevamente pelo respeito que dedicam ao corpo.


Assim, a encarnação revela os “felizes-infelizes” nos enganos a que se arrojam e os “infelizes-felizes” nas provações em que se elevam. Pensemos em Jesus e Barrabás para termos o exemplo necessário.

Na evolução espiritual REENCARNAÇÃO nem sempre é sucesso expiatório, como nem toda luta no campo físico expressa punição. Toda restauração exige dificuldades equivalentes. Todo valor evolutivo reclama serviço próprio.

Não é correto medir as dores alheias pelo critério de expiação, podem ser almas heróicas. Alguns, para auxiliar entes queridos, solicitam uma encarnação para ampará-los na travessia da angústia. Todavia, tal alma heróica estará em franca evolução através da experiência adquirida.

A REENCARNAÇÃO compara-se à reunião de sementes no celeiro. Ali reunidas em demasia, a ação dos agentes químicos as tornam imprestáveis. Contudo, conduzidas ao replantio, padecem de solidão e abandono ante todos os problemas do solo. Mas, voltam à glória da vida em forma de verdura e flor, espiga e pão.

ESPÍRITOS, criados simples e ignorantes, assemelham-se aos tratos de argila que se escondem nas glebas de calcário. Ficam lá, às vezes, por séculos. Suas modificações, lentas, são sem maior proveito. Mas, extraída a argila e levada às elevadas temperaturas do forno, materializam as peças criadas pelo oleiro. Irão, portanto, atender às tarefas de utilidades em planos superiores e realizam os nobres sonhos dos indivíduos nas diversas construções. ASSIM, OPERA UMA ENCARNAÇÃO.

O meio ambiente influi no Espírito. Por constituir prova expiatória, exerce poderosa influência sobre a personalidade. Diante disto, a Lei Divina estabelece o mecanismo da repercussão e da interdependência. Aqueles mais esclarecidos cooperam na transformação para o bem, melhorando e elevando as condições materiais e morais de todos os que vivem na sua zona de influenciação.

APRECIAÇÃO DA OBRA A GÊNESE - por São Luís

Esta obra vem na hora certa, na medida em que a doutrina está hoje bem estabelecida do ponto de vista moral e religioso. Seja qual for a ...