O LIVRO DOS ESPÍRITOS – PARTE 78


CAPÍTULO IX – INTERVENÇÃO 

DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPÓREO

– VI – ANJOS DA GUARDA, 

ESPÍRITOS PROTETORES, FAMILIARES

OU SIMPÁTICOS – (Q-489 a 521) –


GLOSSÁRIO

MAU ESPÍRITO: é um espírito imperfeito ou perverso que se liga ao individuo com o fim de desviá-lo do caminho do bem. Age pelo seu próprio impulso e não em virtude de uma missão. Sua vinculação ocorre em razão do acesso mais fácil que encontra. O indivíduo é livre para ouvi-lo ou repeli-lo.

ESPÍRITO FAMILIAR: o Espírito familiar é antes de tudo o amigo da casa.

ESPÍRITOS SIMPÁTICOS: são os que atraímos a nós por afeições particulares e uma certa semelhança de gostos e de sentimentos, tanto no bem como no mal. A duração de suas relações é quase sempre subordinada às circunstâncias.

BOM ESPÍRITO (bom gênio ou irmão espiritual): são Espíritos que se ligam a um indivíduo em particular, para protegê-lo.

ANJO DA GUARDA: Espírito protetor de ordem elevada, cuja missão é conduzir o seu protegido pelo bom caminho, ajudá-lo com os seus conselhos, consolá-lo nas suas aflições e sustentar sua coragem nas provas da vida. 
Fim do glossário...

QUEM É O ESPÍRITO PROTETOR?
Ligado ao indivíduo desde o seu nascimento até sua morte, o Espírito protetor geralmente segue-o, após a desencarnação, na vida espírita. Sendo as existências corpóreas não mais que fases bem curtas da vida do Espírito é comum que o Espírito protetor siga seu tutelado através de numerosas experiências reencarnatórias.

Aquele que aceitou a tarefa de proteger um indivíduo é obrigado a velar pelo mesmo. Todavia, pode escolher os seres que lhe são simpáticos para esse mister. De modo que para alguns é um prazer realizar a tarefa, para outros uma missão ou dever.

Ao se ligar a uma pessoa o Espírito não renuncia a proteger outros indivíduos, mas o faz de maneira mais geral. Isso não quer dizer que está fatalmente ligado ao ser confiado à sua guarda, sendo necessário cumprir outras missões, será substituído por outros na tarefa.

Os pensamentos do indivíduo são conhecidos intimamente pelos Espíritos protetores. Como são seus conselheiros, acontece de se afastarem quando seus conselhos não são ouvidos. Todavia, o indivíduo não é completamente abandonado, pois, o Espírito protetor sempre se faz ouvir. É o ser, portanto, quem os afasta, pois preferem submeter-se à influência dos Espíritos inferiores, vez que fecha os ouvidos aos Espíritos protetores.

Por outro lado, é possível estabelecer contato com eles tão intimamente como o fazem os melhores amigos. Em cada ação ou pensamento, ao afastar os preconceitos e as segundas intenções, o indivíduo sofrerá a influência benévola do seu protetor, independente da distância em que estiver do mesmo.

Os Espíritos que exercem essa tarefa possuem faculdades que não podem ainda ser compreendidas, além de conservarem sua ligação com seus tutelados. Certa doutrina conhecida os denominou “anjos da guarda”.

O CONSOLADOR – anjos e eleitos
Emmanuel, na questão 277,  teceu esclarecimentos sobre os chamados “anjos” e os “eleitos”. Disse o benfeitor espiritual que:
“[...] a palavra “anjo” deve designar  somente as entidades que já se elevaram ao plano superior; plenamente redimidas, onde são “escolhidos” na tarefa sagrada d’Aquele cujas palavras não passarão. O “eleito”, porém, é aquele que se elevou para Deus em linha reta, sem as quedas que nos são comuns, sendo justo  afirmar que o  orbe terrestre só  viu  um eleito, que é Jesus Cristo. A compreensão do  homem, todavia, em se tratando de angelitude, generalizou  a definição, estendendo­-a a todas as almas virtuosas e boas, nos bastidores da sua literatura, o que se justifica, entendendo­-se que a palavra “anjo” significa “mensageiro”.


VEÍCULO DE TRANSMISSÃO DO PENSAMENTO
Não há nada de espantoso no contato e na comunicação, bem como a salutar influência desses Espíritos protetores sobre os indivíduos pelos quais velam. Para exercício de suas tarefas eles usam, como ensina Kardec, o fluído universal que liga todos os mundos e os torna solidários. Esse fluído é o veículo de transmissão do pensamento, assim como o ar é o veículo de transmissão do som.

A ação dos Espíritos protetores é oculta e não ocorrem de maneira ostensiva. Vale dizer: o protegido não sabe quando a assistência está ocorrendo. O Objetivo é que o indivíduo aja por si mesmo para adiantar-se. O progresso ocorre pela aquisição de experiência.

SENTIMENTOS
A relação entre Espíritos protetores e protegidos é intensa. Os primeiros sentem-se felizes quando os últimos estão no bom caminho ou CHORAM QUANDO OS SEUS CONSELHOS SÃO DESPREZADOS. São expressões dos sentimentos de ESPÍRITOS SUPERIORES DE ORDEM ELEVADA.

O Espírito protetor felicita-se com o sucesso de seu protegido, mas, não é responsabilizado em caso contrário, uma vez que fez o que dele dependia. O protegido que segue um mau caminho faz sofrer o seu protetor. Este lamenta. Mas, sua aflição não é um sentimento conforme o que sente o encarnado em evolução. O Espírito superior sabe que há remédio para o mal (O TEMPO: o que hoje não se fez amanhã se fará).

RELAÇÃO ENTRE OS ESPÍRITOS (protetores e tutelados) 
Nem todos os Espíritos protetores são conhecidos de seus tutelados. Para sua evocação pouco importa o nome. Qualquer pedido feito, mesmo em nome de algum outro Espírito pelo qual se sinta simpatia ou afeição, será atendido pelo Espírito protetor. Os bons Espíritos são irmãos e se assistem mutuamente.

Os Espíritos que comparecem usando nomes comuns, conhecidos, são, por vezes, Espíritos simpáticos daquele cujo nome lança mão e, muitas vezes, é em nome deles que vêm ao encontro do protegido. Sabendo que os encarnados “precisam” de nomes, então usam nomes. Na vida Espírita será possível reconhecer o Espírito protetor. Em muitos casos estes já são conhecidos antes da encarnação.

ASSISTÊNCIA E PROTEÇÃO
A proteção supõe certo grau de elevação, aquisição de virtudes e poder maior concedido por Deus. Um pai que protege um filho (espíritos da classe média) pode ser assistido por um Espírito mais elevado. Para ser Espírito protetor é necessário ocupar uma posição evolutiva que permita sempre inteira liberdade de ação.

O progresso de um Espírito familiar segue o do Espírito protegido. Assim, é possível sempre que um Espírito possa assistir outro que lhe é inferior. Os progressos adquiridos favorecem a ambos. Os Espíritos encarnados nos mundos onde a existência é material estão impossibilitados de devotar-se inteiramente a outro o assistindo pessoalmente. Assim, caso estivesse assistindo a um Espírito e depois venha a encarna-se, será imediatamente substituído por outro.

Há circunstâncias que a ação do Espírito protetor não é necessária junto ao protegido. Chega, também, um momento em que o protegido torna-se capaz de guiar-se sozinho. MAS, ESTA ÚLTIMA SITUAÇÃO NÃO ACONTECE NA TERRA.

SINTONIA E PREFERÊNCIA
Na senda que conduz a Deus é o livre-arbítrio quem atrai a responsabilidade, pois a Lei é de ação e reação, de causa e consequência. O Espírito não retrograda. De modo que O BOM ESPÍRITO JAMAIS FARÁ O MAL. Outros até podem lhes tomar o lugar e causar o mal ao indivíduo. Todavia, isso somente ocorrerá por culpa desse último.

A fraqueza, o desleixo e o orgulho dão força aos maus Espíritos que se “apoderam” daqueles indivíduos que não lhes opõem resistência. Além dos Espíritos protetores, os maus Espíritos também buscam se vincular aos indivíduos. Não se trata de uma ligação, mas, de desejo de ser escutado. Seu objetivo é desviar o ser do bom caminho. Trava-se uma luta entre o bem e o mau, onde o vencedor será aquele a cujo domínio o indivíduo se entregar.

Os indivíduos estão propensos à assistência tanto dos bons espíritos quanto dos maus. Em geral, o que os vinculam são os interesses, a similitude de pensamentos e de sentimentos (no bem como no mal). A simpatia entre os Espíritos decorrem de seu caráter.

Entre os Espíritos protetores não existe quaisquer deles que busquem proteger o orgulho das raças. Os Espíritos evoluídos são desprovidos das paixões que conhecemos. Os maus Espíritos usam da fascinação para subjugarem outros Espíritos, podendo até unirem-se em grupos para a prática nefanda, e, neste caso, servem-se tanto de outros espíritos encarnados quanto desencarnados.

Os Espíritos reúnem-se conforme suas preferências. Semelhante atrai semelhante. São as tendências, o caráter que atrai ou afasta um Espírito. Espíritos imperfeitos se afastam dos que os repelem e disso resulta que o aperfeiçoamento moral individual ou coletivo tende a afastar os maus Espíritos e atrair os bons.

ESPÍRITOS PROTETORES DAS MASSAS, COSTUMES DE UM POVO E O CARÁTER DA POPULAÇÃO OCULTA
As sociedades, as cidades, as nações, possuem uma direção superior no plano espiritual. Neste caso, conforme o grau de adiantamento das massas como dos indivíduos será o grau de elevação do Espírito guia.

Entre os povos, as causas de atração dos Espíritos são os costumes, os hábitos, o caráter dominante, as leis, sobretudo porque o caráter da nação se reflete nas suas leis. Quando reina a justiça é que os seres estão combatendo a influência dos maus Espíritos.

Quando se consagra a injustiça os bons Espíritos se tornam minoria e os maus para afluem em massa para disseminar más influências, causa das dolorosas provações do porvir. Conforme se estuda o costume de um povo é possível fazer ideia da população oculta que se imiscui nos seus pensamentos e ações.


REFERÊNCIAS:

O LIVRO DOS ESPÍRITOS, LAKE, 2013. Trad. José Herculano Pires
O CONSOLADOR, FEB, 2013. Emmanuel / Chico Xavier

LIVRO DOS ESPÍRITOS – PARTE 77

CAP. IX – INTERVENÇÃO DOS
ESPÍRITOS NO MUNDO CORPÓREO

V – AFEIÇÃO DOS ESPÍRITOS
POR CERTAS PESSOAS

(Questões: 484 a 488.a)

Tanto no plano material quanto no espiritual, os Espíritos se reúnem por afinidade. Trata-se do que em Espiritismo conhece-se pelo nome de SINTONIA E PREFERÊNCIA. Todo espírito, encarnado ou não, possui MEDIUNIDADE. Conforme define o Espírito Emmanuel (Mediunidade e Sintonia – prefácio) a "mediunidade é força mental, talento criativo da alma, capacidade de comunicação e de interpretação do espírito, imã no próprio ser", enfatizando que "sintonia é acordo mútuo".

Portanto, falar sobre “afeições dos Espíritos por certas pessoas” é o mesmo que atração entre espíritos que se sintonizam nas mesmas preferências. As entidades promovem verdadeiro “acordo mental” por gostarem das mesmas coisas. Então formam famílias ou bandos, dependendo da disposição mental. Emmanuel, parafraseando antigo provérbio, declara: “Dize-me com quem andas e dir-te-ei quem és” (obra citada).

Em O Livro dos Espíritos, na questão 484, aprendemos que os bons Espíritos simpatizam com os homens de bem ou passíveis de melhora e os Espíritos inferiores com os homens viciosos ou que podem se viciar. O apego mútuo resulta da semelhança de sensações.

Esses laços têm origens distintas:

    1.   Na afeição verdadeira que nada tem de carnal; ou
    2.  Não há afeição, mas, lembranças de paixões humanas.

Os Espíritos NÃO são indiferentes aos nossos infortúnios e prosperidade. Conforme a questão 486, além de fazer todo bem possível para seus afeiçoados, os bons Espíritos ficam felizes com as alegrias de seus tutelados, mas, se afligem quando, nas dores, rejeitamos as provas (que são como remédios para nossas imperfeições).

É importante saber que os Espíritos possuem um ponto de vista mais justo de todos os problemas que afligem seus tutelados. Todavia, se ocupam dos males morais. O egoísmo e o coração endurecido é a origem de todos os males que os Espíritos (encarnados e desencarnados) enfrentam. O orgulho e a ambição criam males imaginários.

As tribulações da vida corporal, assim como esta, são transitórias. Sua função é conduzir o Espírito a um estado melhor.  Existem problemas que afetam somente as ideias mundanas e outros cujas causas são morais e que distanciam do estado melhor (progresso). Enquanto os bons Espíritos se ocupam em reerguer a coragem de seus tutelados, os inferiores procuram lhes incitar o desespero.

Conforme o grau evolutivo em que se encontram, os parentes e amigos já desencarnados protegem aqueles que deixaram na Terra. São sensíveis às suas aflições, mas, esquecem aqueles os esquecem.

Verifica-se, enfim, que a questão gira em torno das escolhas, das preferências. Assim, trazemos para sua reflexão a mensagem do benfeitor espiritual Emmanuel na obra “Mediunidade e Sintonia”, cujo título é “Examina o Teu Desejo”, onde ensina:

“Cada pessoa é instrumento vivo dessa ou daquela realização, segundo o tipo de luta a que se subordina. ‘Acharás o que buscas’ – ensina o Evangelho, e podemos acrescentar – ‘farás o que desejas’. [...] Observa o próprio rumo para que não te surjam problemas de companhia. Desce à animalidade e encontrarás extensa multidão daqueles que te acompanham com propósitos escuros na retaguarda. Eleva-te no aperfeiçoamento próprio e caminharás de espírito bafejado pelo concurso daqueles pioneiros da evolução que te precederam na jornada de luz, guiando-te as aspirações para as vitórias da alma. Examina os teus desejos e vigia os próprios pensamentos, porque onde situares o coração aí a vida te aguardará com as asas do bem ou com as algemas do mal”.

E, para terminar, citamos o item 227 do Capítulo XX de O Livro dos Médiuns que traz curiosa e importante afirmação:

“[...] Ora, os bons têm afinidade com os bons e os maus com os maus [...].

Leia o texto, estude as questões, deixe seu comentário e contribua para nosso progresso mútuo.

Até nosso próprio encontro!

ESCLARECIMENTOS SOBRE A PRÁTICA ESPÍRITA

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