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segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

O BEM E O MAL - PARTE 90

– O LIVRO DOS ESPÍRITOS – 
– LIVRO TERCEIRO – AS LEIS MORAIS – 
CAPÍTULO I – A LEI DIVINA OU NATURAL
 III – O BEM E O MAL
(Questões 629 a 646)

O item III do Capítulo I do Livro Terceiro de O Livro dos Espíritos traz um interessante tema que, também, foi tratado na obra A Gênese de Allan Kardec. Estamos falando do assunto: O BEM E O MAL. Hoje, especialmente, não vamos tratar, especificamente, de cada questão ou do estudo propriamente dito das mesmas. Pretendemos dotar nosso leitor de algumas informações que possam auxiliá-lo no estudo desse item do capítulo mencionado.

Ao abrir o item O BEM E O MAL (acesse aqui: cinco coisas que você precisa saber sobre o bem e o mal), Kardec indaga aos Espíritos sobre a MORAL. Busca saber sua definição. Compreendemos a importância desse questionamento, pois, sabe-se que no contexto filosófico MORAL tem significado diferente da ÉTICA. Essa associa-se ao estudo dos valores morais que orientam o comportamento humano em sociedade. A MORAL, ao seu turno, relaciona-se aos costumes, regras, tabus e convenções estabelecidas por cada sociedade.

Tendo isto em mente é possível buscar melhor compreender o texto, certos de uma verdade. As definições acima não eram exatamente os fundamentos que inspiraram o Codificador na construção de suas indagações. Quando conhecemos o pensamento inspirador do Codificador é possível tirar proveito maior das lições dadas pelos Espíritos Superiores. Sendo assim, uma investigação, ainda que superficial, faz-se necessária.

A Escola Eclética Francesa se debruçava sobre a fundamentação da moralidade. Paul Janet teve mais sucesso nesse campo que seus seus antecessores: Biran e Cousin. As teses de Janet constam do Tratado Elementar de Filosofia com tradução em português. Observe que esse autor distingue o prazer da utilidade, onde critica o que chamou "moral de interesse". O BEM MORAL, pois, é diferente da UTILIDADE e do PRAZER.

Defende Janet que há uma LEI que rege a ATIVIDADE HUMANA. O Ser humano encontra-se ligado à animalidade e carece de uma bússola segura para bem proceder. A LEI MORAL oferece essa forma de constrangimento, sendo ao mesmo tempo uma ORDEM e uma NECESSIDADE. Não é, portanto, nenhum tipo de constrangimento físico. Trata-se do constrangimento moral, que impõe à RAZÃO, SEM VIOLENTAR A LIBERDADE, um mandamento e uma proibição: "FAÇA O BEM, NÃO FAÇA O MAL.

Nesse caso o bem é obrigatório, sem que para seu cumprimento, a isso, alguém seja forçado. Ficando bem claro: Paul Janet compreendia que desde que alguém seja FORÇADO A FAZER O BEM, O RESULTADO CESSA DE SER O BEM. Trata-se, então, do cumprimento do DEVER como uma NECESSIDADE CONSENTIDA. Por um lado, Janet concorda com Kant, onde o dever é a necessidade de obedecer à lei pelo respeito à lei.

Mas, tal concordância para por aí. Diferente de Kant, Janet não vê obstáculo à conciliação entre os bons sentimentos e as inclinações naturais que conduzem o indivíduo espontaneamente ao bem sem esforço com a Lei Moral. Eis aqui o sério problema em tudo analisar pelo prisma religioso. Notadamente Kardec foi muito feliz na expressão: fé raciocinada é a que encara a razão face a face. Janet discordou de Kant por causa do seu rigorismo, resultado da influência em sua teoria da doutrina da predestinação, oriunda do protestantismo.

Kant refutava todo resultado que não fosse um bem moral oriundo do DEVER, do esforço, da luta, da incessante RESISTÊNCIA e REBELIÃO humana contra as más tendências, cujo princípio está na teoria da criação e da queda da alma. Paul Janet repugnava a ideia de que existiam eleitos e réprobos. Afirmava que os "eleitos" eram, em verdade, aqueles que são os viciosos, cujo meio de inibir suas más tendências é o caráter repressor e inibidor da Lei Moral.

O filósofo concluiu que aqueles que são BONS POR NATUREZA NUNCA CHEGAM A ATINGIR O MÉRITO, isto é, o resultado da ação humana que visa exclusivamente CUMPRIR A LEI POR PURO RESPEITO. E, nesse sentido afirmava que a virtude cristã é a lei de ternura e de coração, virtude de dedicação e de fraternidade. Em Janet não há exclusão ou substituição da moral do dever pela moral do sentimento. Não se pode confundir na moral o meio com o fim. O OBJETIVO É CHEGAR A SERMOS BONS.

Na sua obra esclarece que se Deus começou por nos fazer tais, dispensando-nos de uma parte dos esforços para chegar ao fim, seria uma moral imperfeitíssima aquele que encontrasse um meio de se queixar, que equiparasse os bons e os maus sentimentos e constituísse até um privilégio em favor destes. Afirmou, ainda que o sentimento, diga Kant o que quiser, não é inimigo da virtude. Não basta ser virtuoso; é preciso, também, que o coração ache prazer em o ser.

A solução de Paul Janet, presente no pensamento de Allan Kardec, norteando a teoria espírita, é de que A FELICIDADE É UMA ESCOLHA RACIONAL, identifica-se com a perfeição, revestindo-se do caráter de obrigatoriedade que não lhe atribuíra Aristóteles. Os Espíritos Superiores conciliaram DEVER e FELICIDADE.

Leia as questões 629 a 646 deste item do Capítulo I do Livro Terceiro e busque refletir sobre as respostas dos Espíritos com essas informações em mente. Para estudo aprofundado do tema indicamos o TRATADO ELEMENTAR DE FILOSOFIA DE PAUL JANET (Tradução em português, Rio de janeiro, 1866, Tomo II).

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Estude e Viva,
Uberaba - MG,. 27 de Janeiro de 2020.

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