ESTUDOS BÍBLICOS NA CASA ESPÍRITA? NÃO ESTOU CONVENCIDO!

Se você achou a pergunta estranha e a resposta mais ainda, seja bem-vindo...

Para quem acompanha a saga do "blogueiro" e a história por trás da criação do espaço virtual, sabe que nos apaixonamos ainda mais pelo Espiritismo quando ouvimos pela primeira vez o querido Haroldo Dutra Dias falar sobre revelações bíblicas, Jesus, judaísmo, Kardec e Espiritismo, tendo como fio condutor de suas pesquisas a obra de Francisco Cândido Xavier sob a direção do benfeitor espiritual Emmanuel, sem prescindir de um vasto acervo bibliográfico.

De posse das obras indicadas por Haroldo Dutra iniciamos um singelo estudo. Nada parecido com o que fazem aquelas almas abençoadas da cidade de Belo Horizonte, principalmente o Instituo SER.

Enquanto o estudo era feito solitariamente, nenhum problema. Mas, conversa vai, conversa vem. Alguém insinua que estas investigações deveriam ser feitas com a participação de um número maior de pessoas. Que deveria haver um compartilhamento das informações. Criamos um Instituto. Pois é. Chamamos de Instituto REVELARE, estabelecemos algumas bases e princípios, principalmente que a doutrina espírita deve ser a luz que ilumina o caminho, a fim que sempre se possa extrair uma consequência moral do estudo.

Ora, você diria: agora está tudo certo, mãos à obra, vamos aos estudos! Mas, pasmem! Imagine você o que pensamos: toda casa espírita está interessada em estudo sério e que não seria problema algum encontrar a cessão de um espaço e horário disponível para a realização do mesmo. Nos enganamos... Daí o título: estudos bíblicos na casa espírita? não estou convencido!

A saga se inicia com um requerimento formal, onde o Instituto pede a uma casa espírita a realização de um convênio para cessão do espaço. Bom, nem foi efetuada contraproposta de aluguel... Desculpa dada, pedido negado. Noutra oportunidade, pede-se o espaço a outra casa espírita. Inicialmente parece que será cedido, pois, disseram: vejam nosso cronograma semanal, caso tenha horário, escolham; Feita a escolha vem a notícia: no momento não será possível.

Finalmente, na divulgação da proposta, novamente ouvimos: estudos bíblicos na casa espírita? não estou convencido! Porém, neste caso, uma resposta amorosamente objetiva com o diferencial do "olho no olho", consequência do respeito e da fraterna caridade entre pares.

Olha, desculpe a franqueza (ou desabafo), eu não tenho culpa de que Jesus escolheu os Hebreus para sua encarnação, isto é, escolheu ser judeu. Também, não fui eu que aconselhou na Introdução do Evangelho Segundo o Espiritismo que para melhor entender certas passagens dos Evangelhos é necessário compreender o estado dos costumes e da sociedade judia naquela época. Quanto ao estudo realizado à luz da doutrina espírita, o próprio Kardec na mesma Introdução acima mencionada esclarece que muitas passagens do Evangelho, da Bíblia e dos autores sacros em geral são de difícil compreensão, parecendo até absurdas em razão da falta da chave que nos dê o verdadeiro sentido, a qual está inteirinha no Espiritismo.

Parece que quando o codificador fala em sentido, está falando de sentimento, isto é, de extrair consequência moral, de estudar com o coração, o que não quer dizer que ele afastou o conhecimento intelectual que se refere ao uso das ferramentas como história, sociologia, ciência em geral, filosofia, etc. ([...] a letra mata o espírito vivifica - 2Coríntios 3:6b). Pelo contrário, Kardec aconselha este tipo de investigação, o que permeou todo o seu trabalho. Basta ler as Revistas Espíritas.

Aqui, me recordo do capítulo 3 do livro Jesus no Lar, pela psicografia de Francisco C. Xavier, ditado pelo Espírito Neio Lúcio em que o Mestre, fala sobre a Revelação nos seguintes termos:

"[...]Assim é a revelação celeste no coração humano. Se não purificamos o vaso da alma, o conhecimento, não obstante superior, confunde-se com as sujidades de nosso íntimo, como que se degenerando, reduzindo a proporção dos bens que poderíamos recolher. Em verdade, Moisés e os profetas foram valorosos portadores de mensagens divinas, mas os descendentes do povo escolhido não purificaram suficientemente o receptáculo vivo do Espírito para recebê-las. É por isso que os nossos contemporâneos são justos e injustos, crentes e incrédulos, bons e maus ao mesmo tempo. O leite puro dos esclarecimento elevados penetra o coração como alimento novo, mas aí se mistura com a ferrugem do egoísmo velho. Do serviço renovador da alma restará, então, o vinagre da incompreensão, adiando o trabalho efetivo do reino de Deus".

Comparando a Revelação ao orvalho, arremata o Divino Escultor: "[...] O orvalho num lírio alvo é diamante celeste, mas, na poeira da estrada, é gota lamacenta. Não te esqueças dessa verdade simples e clara da natureza".

Por outro lado, no livro Boa Nova, capítulo 14, do mesmo psicografo, ditado pelo Espírito Humberto de Campos, em conversa com Tiago sobre o mecanismo do resgate, Jesus percebendo que o discípulo compreendia-o equivocadamente, pergunta: "[...] Dentro da lei de Moisés, como se verifica o processo da redenção?". Ao que Tiago responde: "[...] Também na lei está escrito que o homem pagará "olho por olho, dente por dente". Sendo advertido pelo Mestre: "[...] Até tu, Tiago, estás procedendo como Nicodemos? [...] Como todos os homens, aliás, tens raciocinado, mas não tens sentido. Ainda não ponderaste, talvez que o primeiro mandamento da Lei é uma determinação de amor. Acima do "não adulterarás", do "não cobiçarás", está o "amar a Deus sobre todas as coisas, de todo o coração e de todo o entendimento". Como poderá alguém amar o Pai, aborrecendo-lhe a obra? Contudo, não estranho a exiguidade de visão espiritual com que examinaste o texto dos profetas. Todas as criaturas hão feito o mesmo. Investigando as revelações do Céu com o egoísmo que lhes é próprio, organizaram a justiça como o edifício mais alto do idealismo humano. E, entretanto, coloco o amor acima da justiça do mundo e tenho ensinado que só ele cobre a multidão de pecados. Se nos prendemos à lei de talião, somos obrigados a reconhecer que onde existe um assassino haverá, mais tarde, um homem que necessita ser assassinado; com a lei do amor, porém, compreendemos que o verdugo e a vítima são dois irmãos, filhos de um mesmo Pai. Basta que ambos sintam isso para que a fraternidade divina afaste os fantasmas do escândalo e do sofrimento".

A minha inspiração para estudar "a Revelação" vem de textos como estes, pois, nos seus ensinamentos Jesus examina a Lei Mosaica e sempre diz que não veio destruí-la, mas, completá-la e não perde oportunidade para esclarecê-la conforme o estado dos costumes e da sociedade daquela época.

Ah! você precisa do desfecho...
Decidimos estudar em minha casa!

4 comentários:

Maísa Helena Moura disse...

E estudaremos juntos. Iremos compreender, ter dúvidas, questionar e solucionar as interrogações que surgirem JUNTOS! Maísa

Beto Ramos disse...

É isso aí Maísa. No livro Jesus no Lar, no capítulo 1, o Mestre ensina que o melhor lugar para iniciar o caminho em direção a Deus, prosseguindo na jornada evolutiva, é o Lar, a Casa, a Família. Então, sendo dóceis às determinações da espiritualidade, vamos ouvir a lição e colocá-la em prática. Abraço fraterno. Paz e Alegria.

Airton Sevilha disse...

Sabe Beto, acho muito interessante vasculhar as experiências do povo Hebreu, até andei vendo uns podcasts do Haroldo, apenas temos que tomar cuidado porque quando revolvemos um passado tão remoto encontramos muitas dificuldades de interpretação em: Tradições e costumes, influências de outros povos na cultura, na politica, etc.
Por exemplo, existe uma linha divisória entre os hebreus antes e pós o exílio babilônico;
Moisés missionário e Moisés líder legislador hebreu, e, tantas outras divergências que iremos encontrar nessas investigações
Observe-se a diversidade de "Talmuds"(registro das discussões rabínicas que pertencem à lei, ética, costumes e história do povo judeu).
Mas, enfim eu acho muito válido todo estudo de aprofundamento de conhecimentos sobre cada uma das revelações, porém devemos nos prevenir com a cautela, pois eu já vi um professor de religiões letrado em Grego, Hebreu e Aramaico complicando-se com as inúmeras variantes linguísticas.
Desejo que haja um grande êxito nessa empreitada, parabéns pela iniciativa, não tenho a intenção de ser crítico, mas, oportunamente um colaborador. Sou apaixonado pelo estudo aprofundado da Doutrina Espírita, quaisquer que sejam os temas.
Deixo meu abraço à você Beto e aos companheiros engajados nessa tarefa e consequentemente na Seara Espírita.

Beto Ramos disse...

Querido Airton. Bela reflexão. Obrigado pela "advertência", pois, como diriam nossos pais: "cautela e caldo de galinha não faz mal a ninguém". Temos, por isto, insistido que o estudo do estado dos costumes nos serve para compreensão da relação daquele povo escravo, camponeses e criadores de cabras, com Deus. O estado da sociedade para sabermos o que pensavam, o que defendiam, a cultura, a história. Mas, nosso fio condutor, se é que podemos chamar assim, é a luz que nos dá a doutrina espírita. Porém, e você sabe disso, veja o que ocorre dentro das casas espíritas com pessoas que fazem exatamente o que você menciona com a obra de Kardec, trazendo todo tipo de "sistema novo" ao argumento de que Kardec está ultrapassado. De minha parte, com base em obras sérias, à luz da doutrina espírita (leia-se Kardec), penso que precisamos cumprir o segundo mandamento do Espírito da Verdade: Espíritas - instruí-vos. E vamos, com nossas imperfeições (não somos donos da verdade), cumprir o conselho de Kardec na Introdução do Evangelho Segundo o Espiritismo, precisamente em Noticias Históricas.

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