Seguidores

Pesquisar este blog

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

A OPINIÃO PESSOAL

Convite à reflexão.

MARAVILHOSAMENTE, a sociedade contemporânea vive uma era em que a informação é alcançada das maneiras mais rápidas e eficazes. Chega uma informação, várias pessoas se dispõem a divulgá-la e defendê-la de forma, por vezes, educada, outras nem tanta. Uma informação aparentemente comprovada, não mais que imediatamente, é derrubada ou, ao menos, colocada em dúvida.

Sobre tantos temas, o que se percebe é a busca de "comprovações" que defendam os próprios pontos de vista. Sob o manto de uma pretensa caridade ou numa demonstração de completa ausência de urbanidade, o estudo verdadeiro e profundo é deixado de lado. Cada um, ao seu modo, busca ser "seguido" e não filiar-se a uma ideia. Alguém se propõe a um trabalho e logo surgem inimigos/adversários que esvaziam a latrina mental e gritam: "quer aparecer"; "quer desunir"; "quer destruir".

Ora, vejamos: SUA OPINIÃO É SUA OPINIÃO. EU RESPEITO, MAS, ELA NÃO PASSA DISSO: A SUA OPINIÃO. Conviva com isso. Aceite e viva bem, melhor e mais feliz. O conhecimento é construído, passa por um processo de elaboração mental. Para Espíritos imortais, isso não acontece numa única encarnação. O processo passa por sucessivas encarnações.

Allan Kardec afirmou, ao criar a Revista Espírita, "debateremos, não disputaremos". Será útil introjectar e agir, verdadeiramente, conforme o fundo do pensamento que está no âmago dessa mensagem, lida e propagada por muitos (talvez, nem tanto), mas, que até aqui não tornou-se uma badeira para os Espíritas.

Uberaba - MG, 24 de fevereiro de 2021.

Beto Ramos.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

CHEGOU A HORA PORQUE MORREU OU MORREU PORQUE CHEGOU A HORA?

Muito se tem falado, inclusive em berço espírita, que nossos queridos irmãos e irmãs acometidos do mal pandêmico que assola o país e o mundo, ao sucumbirem à COVID-19, morreram porque "chegou a hora". Por essa linha de raciocínio é possível concluir, então, que há destino ou karma (também carma). O Espiritismo valida essa teoria?

O Livro dos Espíritos nos proporciona campo para agudas reflexões. De acordo com o fatalismo compreende-se pelo vocábulo fatalidade a qualidade daquilo que é fatal, isto é, destino que não se pode alterar. Pois bem, pretendemos pensar a respeito.

Vejamos, então, a questão 851 da obra mencionada. Kardec questionou os Espíritos sobre a existência ou não da fatalidade nos acontecimentos da vida, conforme o sentido acima exposto. Na verdade, o Codificador desejou saber se existem ACONTECIMENTOS predeterminados. Incluiu na sua indagação, em caso de resposta positiva, o que seria do livre-arbitrio?

A resposta objetiva foi que a fatalidade existe UNICAMENTE pela ESCOLHA QUE O ESPÍRITO FEZ DESTA OU DAQUELA PROVA que sofrerá ao reencarnar.

Aprendemos que o Espírito institui a si mesmo uma espécie de destino. Ora, é preciso ter em mente o significado de destino e de uma espécie de destino. Na questão mencionada os Espíritos Superiores vão conceituar essa espécie de destino. Nada mais é que A CONSEQUÊNCIA DA POSIÇÃO EM QUE O ESPÍRITO VIER A ESTAR COLOCADO.

Vamos interpretar? Segundo o MEIO EM QUE O ESPÍRITO REENCARNA, tendo escolhido o GÊNERO DE PROVAS, sujeita-se às CIRCUNSTÂNCIAS que tal gênero irá lhe proporcionar. Nesse meio existem pessoas, coisas e provas morais que o Espírito experimentará. Se no meio existem situações alheias à vontade do Espírito, tais como as que dependam de decisões de terceiros, a reencarnação sob determinado gênero de provas, de certa maneira, traçará uma rota evolutiva.

Todavia, é preciso lembrar que NINGUÉM está fadado (isto é, fatalmente) a essa mesma rota. São infinitas as opções de escolhas que faremos ao longo do desenvolvimento daquele gênero de provas anteriormente escolhido (no chamado planejamento reencarnatório).

Ainda assim, até mesmo as escolhas não estarão livres de certas amarras que vão relativizar o livre-arbítrio do Espírito. Isso não significa que se deva lançar qualquer situação que seja à conta do destino. Não sabemos quais são as provas escolhidas pelo Espírito, o que é ou não consequência de suas faltas, além do que as ideias exatas ou falsas que fará das coisas o levará a atingir ou errar seu alvo. Para tanto, considera-se, também, o caráter de cada um e sua posição social, dentre outros fatores.

Atribuir o que ocorre ao Espírito encarnado à conta da sorte ou destino é um meio de fugir ao dever de refletir sobre as próprias ações e suas consequências. Voltemos ao tema principal: A MORTE. O que há de fatal nisso?

Segundo a teoria Espírita, FATAL é somente O INSTANTE DA MORTE. Saber disso faz toda a diferença. Chegou a hora porque morreu ou morreu porque chegou a hora? Não é um jogo de palavras. A resposta é: chegou a hora porque morreu!

Se essa hora NÃO chegou, a morte somente ocorrerá quando as LEIS DIVINAS forem violadas. Disto resulta que é possível e desejável que o ESPÍRITO lance mão de todas as precauções possíveis para evitar uma morte que o esteja ameaçando. Para uma reflexão desejável, o leitor não deve comparar a onisciência e onipotência do Criador, que tudo sabe sobre suas criaturas, com a ideia de destino.

Todos os perigos que cercam o Espírito encarnado mostra-lhe o quão fraco e frágil é uma existência. Segundo o ensino dos Espíritos é preciso sempre examinar a causa e a natureza dos perigos. Quase sempre são consequências de faltas cometidas, isto é, da negliência no cumprimento de um dever. O Espírito, sabendo o gênero de provas que escolheu, sabe quais são os perigos a que está exposto e que lutas terá que sustentar para evitá-los.

Se assim não fosse, o que dizer daqueles que afrontam perigos, que visam o autoextermínio ou que amealham todo tipo de vício? De resto, é preciso compreender com profundidade: a fatalidade, verdadeiramente, só existe quanto ao MOMENTO em que o ESPÍRITO deverá APARECER e DESAPARECER do mundo em que escolheu para reencarnar.

Voltando à questão pandêmica é preciso refletir: o Espírito poderia afastar um fato como a morte pela COVID-19? Nem tudo que sucede ao Espírito ESTÁ ESCRITO como se costuma dizer. Os acontecimentos são consequências de atos praticados por livre vontade, sem o qual o acontecimento não teria se dado. Recorde-se de muitos que sucumbiram a esse mal por pura negligência ou imprudência.

Outra questão que vem de encontro a essa reflexão é que a humanidade carece de grandes dores, fatos importantes e capazes de influir-lhe moralmente. São úteis à sua depuração. Sua finalidade é apenas de instrução. A reencarnação e tudo o que nela ocorre é um processo pedagógico. Tudo é instrução para o Espírito.

Nesse grande laboratório planetário promove-se muitas experimentações, muitas experiências. A culpa não é de Deus e nenhum acontecimento deve ser creditado à conta do Destino. É bom que a humanidade aprenda nesse processo a assumir sua responsabilidade como ente coletivo.

É imperativo compreender que, pela ação da vontade, até mesmo acontecimentos que deveriam verificar-se, podem ser altarados. As condições para tanto são: a alteração deve ser cabível, estar em conformidade com as leis naturais e na sequência do gênero de vida escolhida pelo Espírito. A todos é facultado IMPEDIR O MAL, sobretudo aquele que possa concorrer para a produção de um maior.

Se a fatalidade, como compreendida no princípio desse texto, realmente existisse, aquele que em vida cometesse um assassínio saberia que escolheu uma existência fadada a cometer esse crime. ISSO NÃO OCORRE. O Espírito que escolhe uma vida de lutas sabe que poderá sentir o desejo de matar alguém, mas, não sabe se irá ceder, pois, tem a deliberação de infringir as leis Divinas ou não. Numa palavra, se soubesse que mataria alguém, estaria PREDESTINADO ao crime.

TUDO RESULTA SEMPRE DA VONTADE E DO LIVRE-ARBÍTRIO. Saber escolher faz toda a diferença. Não há ninguém predestinado ao sofrimento, como não há ninguém nascido sob uma boa estrela. Em Espiritismo temos uma lição importante: "é tolice tomar tudo ao pé da letra".


Beto Ramos

Uberaba-MG, 22 de fevereiro de 2021.


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

CAIM E SETE - OS FILHOS DE EVA

Quando você lê estas duas passagens bíblicas abaixo, o que pensa?
  • SALMO 90 (Rei David): “Pois mil anos em Teus olhos são como o dia de ontem, que passou, e como uma vigília noturna. 
  • 2PEDRO 3:8: “ Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia”.

Certamente, a ideia passada em ambos os textos se relaciona com o tempo, cuja mensagem é a seguinte: há diferença entre como compreendemos e "contamos" o tempo e o tempo para a Suprema Inteligência do Universo.

Nos livros bíblicos vamos encontrar uma variedade de figuras das línguas e culturas bíblicas. Muito se perde quando estas estórias são traduzidas. Por outro lado, existem jogos de palavras e expressões idiomáticas intraduzíveis.

Sem levar isso em conta, todo aquele que buscar estudos bíblicos fora das aquisições científicas terá dificuldades de realizar o processo conciliátório, visto que ciência e religião são duas alavancas que movem a humanidade.

Por exemplo, um dia da criação não equivale a um dia do planeta Terra, uma vez que as descobertas científicas, tais como o relógio de urânio ou atômico, assim comprovaram. Pode-se dizer que esses dias relatados em Gênesis se tratam de longos períodos de formação do planeta.

Para extrair as consequências morais dos textos, os sábios Hebreus criaram um método cuja técnica é dividir a apreensão do conteúdo em quatro partes:
  • significado literal e óbvio do texto;
  • sugestão;
  • interpretação;
  • significado espiritual (ou entendimento oculto).

São vários os gêneros literários presentes no Antigo e no Novo Testamento, além da subdivisão segundo tradições (histórica, apocalíptica, sapiencial e outros) e não se restringem aos livros de uma única tradição.

Um estudo sério da Bíblia nos revelará a presença de vários gêneros literários. Os relatos, por exemplo, subdividem-se em: novela, saga, lenda profética, de milagre, de vocação, de não-vocação, parábola jurídica, herói menino exposto à morte, ascensão, visão, viagem a outros mundos, julgamento do rei, mulher que derrota o inimigo, controvérsia, unção do rei por profeta, ação simbólica, etc. Existem outros gêneros como parábolas, leis, salmos e cânticos, entre outros.

Falando nisto, pensando nos nomes dos filhos de Eva mencionados em Gênesis, especialmente Caim, que em hebraico קַיִן (kain) tem o significado de algo sendo “adquirido”, bem como Sete, que em hebraico שֵׁת (shet) significa algo como “fornecido”, visto que advém do verbo hebraico לָשִית que significa “designar” ou “fornecer”, podemos extrair um ensino de natureza moral.

Conta-nos o livro que a formação da família bíblica primitiva acontece de maneira não planejada e até, de certo modo, inocentemente irresponsável. Natural que assim fosse, uma vez que, simples e ingnorantes, os Espíritos são criados com NULIDADE MORAL.

Veremos que no desenrolar da estória Caim mata Abel. Todas as personagens estão no processo de aquisição de conhecimento, práticas de atos diversos, mas, muito pouco ou nada sabendo o que faziam.

Buscando extrair o conteúdo oculto do ensinamento bíblico, percebemos um amadurecimento da família primitiva. Na infância espiritual pensam que estão adquirindo tudo; tudo lhes pertence; tudo para sí; Nesse caso, Kain, "algo sendo adquirido". Mais tarde, amadurecidos, Shem, "algo sendo fornecido".

É o reconhecimento da Superioridade e Supremacia do Supremo Criador.

Esse texto é apenas uma reflexão. Você pode fazer a sua sem problemas. O importante é que te desejo: SEJA FELIZ SEMPRE, DESDE QUE NÃO SEJA À CUSTA DE NINGUÉM!

Uberaba-MG, 10 de Fevereiro de 2021.
Beto Ramos.

DESTAQUE DA SEMANA

A DOUTRINA DOS ESPÍRITOS NÃO É ASSUNTO QUE SE ESGOTA EM UMA PALESTRA

  EM SUAS VIAGENS KARDEC MINISTRAVA ENSINOS COMPLEMENTARES AOS QUE JÁ POSSUIAM CONHECIMENTO E ESTUDO PRÉVIO. Visitando a cidade Rochefort, n...